Alimentação na doença renal: o que pode comer e quais cuidados são importantes?

Uma das primeiras dúvidas de quem recebe o diagnóstico de doença renal é sobre a alimentação.

Será que é necessário parar de comer frutas? É preciso eliminar o feijão? Todo paciente renal deve reduzir o consumo de água? Quais alimentos precisam ser evitados?

A resposta depende de diferentes fatores.

A alimentação é uma parte importante do cuidado com a saúde renal, mas não existe uma dieta única que funcione para todas as pessoas com doença renal.

O planejamento nutricional precisa considerar o estágio da doença, os exames laboratoriais, os medicamentos utilizados, a presença de outras condições de saúde e a modalidade de tratamento.

Por que a alimentação é tão importante para os rins?

Os rins ajudam a manter o equilíbrio de água e minerais no organismo, além de eliminar substâncias produzidas pelo metabolismo.

Quando a função renal está comprometida, algumas dessas substâncias podem se acumular no sangue.

Por isso, ajustes na alimentação podem ser necessários para ajudar a controlar a pressão arterial, o equilíbrio de minerais, o estado nutricional e outras condições associadas à doença renal.

Entretanto, fazer restrições alimentares sem orientação pode provocar deficiências nutricionais e comprometer a qualidade de vida.

1. Sódio: por que é importante reduzir o excesso?

O sódio está presente naturalmente em alguns alimentos e também é adicionado durante o preparo ou processamento industrial.

O consumo excessivo pode favorecer a retenção de líquidos e dificultar o controle da pressão arterial.

Para reduzir a ingestão de sódio, algumas atitudes podem ajudar:

  • Diminuir o uso de sal durante o preparo dos alimentos.
  • Utilizar alho, cebola, ervas frescas e especiarias para realçar o sabor.
  • Reduzir o consumo de produtos ultraprocessados ricos em sódio.
  • Observar as informações nutricionais dos rótulos.
  • Evitar utilizar temperos industrializados em excesso.

Uma atenção especial deve ser dada ao sal light, que frequentemente contém cloreto de potássio e pode não ser adequado para determinados pacientes renais.

2. Potássio: todos os pacientes precisam restringir?

Não.

O potássio é um mineral importante para o funcionamento dos músculos, dos nervos e do coração.

Em determinadas situações de comprometimento renal, o organismo pode apresentar dificuldade para eliminar o excesso de potássio.

Quando seus níveis no sangue ficam elevados, ocorre uma condição chamada hipercalemia, que pode provocar alterações importantes no funcionamento cardíaco.

Entretanto, nem toda pessoa com doença renal apresenta potássio elevado.

Por isso, alimentos como banana, abacate, tomate e outros vegetais não devem ser eliminados indiscriminadamente.

A necessidade de ajustar o consumo depende dos exames laboratoriais e da avaliação nutricional.

3. Fósforo: um mineral que merece atenção

O fósforo participa de diversas funções do organismo, incluindo a manutenção da saúde óssea.

Quando a função renal diminui, pode haver dificuldade para manter o equilíbrio desse mineral.

Alterações persistentes no metabolismo do fósforo podem contribuir para complicações ósseas e cardiovasculares.

Além do fósforo naturalmente presente nos alimentos, é importante observar os aditivos utilizados em determinados produtos industrializados.

Na lista de ingredientes, eles podem aparecer com nomes relacionados a fosfatos, ácido fosfórico e polifosfatos.

O acompanhamento nutricional ajuda a adequar a alimentação sem retirar desnecessariamente fontes importantes de nutrientes.

4. Proteínas: consumir mais ou menos?

A quantidade adequada de proteínas depende especialmente do estágio da doença renal e da modalidade de tratamento.

Em alguns pacientes com doença renal crônica que ainda não realizam diálise, pode ser indicada uma adequação da ingestão proteica para reduzir a sobrecarga metabólica.

Já pessoas em hemodiálise frequentemente apresentam necessidades proteicas maiores, devido às características do tratamento e ao risco de perda de massa muscular.

Por isso, uma orientação nutricional indicada para um paciente pode não ser adequada para outro.

Dietas com restrição intensa de proteínas, quando realizadas sem acompanhamento, podem provocar desnutrição.

5. Água e outros líquidos: quanto é permitido beber?

A hidratação é importante para a saúde, mas a quantidade adequada de líquidos varia de acordo com a condição clínica.

Nem toda pessoa com doença renal precisa restringir água.

Em alguns pacientes que realizam hemodiálise, especialmente quando existe redução importante da produção de urina, pode ser necessário controlar a ingestão de líquidos.

Além da água, outras fontes também precisam ser consideradas, como café, chá, leite, sucos, sopas e determinadas sobremesas.

A quantidade permitida deve ser definida individualmente pela equipe responsável pelo tratamento.

Não aumente nem reduza drasticamente o consumo de água sem orientação.

6. Frutas e verduras podem fazer parte da alimentação?

Sim. Frutas, legumes e verduras podem continuar fazendo parte do planejamento alimentar de muitos pacientes renais.

O que pode mudar são as porções, a frequência, as escolhas e as técnicas de preparo, dependendo das necessidades nutricionais.

Alguns vegetais podem precisar de preparo específico para reduzir parte do potássio, quando essa medida for indicada.

Entretanto, restringir indiscriminadamente frutas e verduras pode diminuir a variedade alimentar e o consumo de fibras e vitaminas.

O objetivo é construir uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais.

7. Como tornar as refeições mais saborosas com menos sal?

Uma estratégia prática é utilizar temperos naturais.

Alho, cebola, salsinha, cebolinha, manjericão, alecrim, orégano e limão podem ajudar a realçar o sabor dos alimentos.

Uma sugestão simples de molho para saladas é misturar:

  • 2 colheres de sopa de azeite.
  • 1 colher de sopa de suco de limão.
  • 1 colher de chá de salsinha picada.
  • Orégano a gosto.

Misture os ingredientes e utilize uma quantidade compatível com o seu planejamento alimentar.

O molho pode ajudar a reduzir a necessidade de sal, mas a escolha da salada e o tamanho da porção também devem respeitar as orientações nutricionais individuais.

8. Por que o acompanhamento nutricional faz diferença?

O nutricionista especializado em saúde renal considera diferentes aspectos para desenvolver um planejamento alimentar adequado.

Entre eles estão:

  • Resultados dos exames laboratoriais.
  • Estágio da doença renal.
  • Modalidade de tratamento.
  • Peso e estado nutricional.
  • Presença de diabetes, hipertensão ou outras doenças.
  • Hábitos e preferências alimentares.
  • Necessidades individuais de energia, proteínas e minerais.

O acompanhamento também ajuda a adaptar receitas e tornar a alimentação mais variada e prazerosa.

Afinal, cuidar da alimentação não deve significar perder completamente o prazer de comer.

Alimentação e cuidado multiprofissional na CEDRA

Na CEDRA, o acompanhamento do paciente renal envolve diferentes profissionais, incluindo a área de Nutrição.

O objetivo é oferecer um cuidado individualizado, considerando as necessidades clínicas, nutricionais e a qualidade de vida de cada pessoa.

Se você possui doença renal ou realiza hemodiálise, converse com a equipe responsável antes de realizar mudanças importantes na alimentação.

Uma alimentação adequada é aquela que respeita suas necessidades e contribui para o seu tratamento.

CEDRA – Centro de Doenças Renais e Associadas
Rua Emílio de Menezes, 833/840 – 1º andar – Curitiba/PR
Telefone: (41) 3076-4774
www.cedra.com.br

Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui a avaliação médica ou nutricional individualizada.

Facebook
Twitter
LinkedIn